Os Oito Odiados

Minha primeira sessão do ano no cinema foi Os Oito Odiados, oitavo longa de Quentin Tarantino. Bem, como considero os dois Kill Bill separadamente, contra quase todos e contra o próprio autor (que fez do primeiro volume, aparentemente sem querer, uma longa peça musical), para mim, então, Os Oito Odiados é o nono. Mas isso não importa. O que importa é que Tarantino está um pouco mais contido que em Bastardos Inglórios e Django, o número de tarantinices é menor que nesses filmes.
O que seriam tarantinices? Em Os Oito Odiados, a violência de desenho animado (cabeças explodindo), a violência provocativa (fortes golpes no rosto de uma mulher), as músicas contemporâneas dentro de uma trama histórica (White Stripes é muito bom, mas ali?), os planos que ilustram a lorota contada pelo personagem de Samuel L. Jackson ao velho racista interpretado por Bruce Dern e, principalmente, a interrupção espertinha do narrador para mostrar algo que aconteceu enquanto essa lorota era contada. Um diretor como Brian De Palma construiria um plano genial para mostrar essa simultaneidade, provavelmente usando melhor a profundidade de campo e a lente com foco duplo, e fazendo movimentos precisos de câmera. Mas Tarantino, definitivamente, não é De Palma, então tem necessidade dessas bobagens para impressionar neófitos. Pior é que o plano da revelação, em si, é bom. Mas infelizmente está dentro de um recurso tolo. (Tarantino não é De Palma, como também não é Ford; mas isso não faz dele o pior dos cineastas)
Essas molecagens acontecem, na maior parte, após a primeira das três horas de filme. E a primeira hora, convenhamos, é um primor. Uma carruagem conduz um caçador de recompensas (Kurt Russell) e uma bandida procurada viva ou morta (Jennifer Jason Leigh). Eles encontram um outro caçador de recompensa (Jackson) e depois o futuro xerife (Walton Goggins) da cidade para onde estão indo. Param na estalagem de Minnie Mink, uma espécie de posto de abastecimento. Lé encontram outros homens. Quando parece que se passaram vinte minutos, no máximo meia hora, vemos que se passou praticamente uma hora de filme.
Na cabana de Minnie Mink, obviamente, encontram problemas, e o filme derrapa algumas vezes nas tarantinices mencionadas acima (e em outras mais pontuais: uma grua desnecessária aqui, um corte afobado acolá…). Mas Tarantino tem habilidade para mostrar conflito de olhares e conta com grandes atores, muito bem escolhidos dentro de cada papel (embora Tim Roth imitando Christoph Waltz seja meio besta). Utiliza bem o scope, ao menos dentro da grande estalagem, construída como um único grande cômodo onde todo mundo se vê. O conjunto é sólido, com diversos momentos de força que compensam as tolices, e o conflito racial é melhor apresentado que em Django. Se, pela irregularidade, está longe de seus melhores momentos (Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill 1), ao menos é o melhor filme dele dentro dessa fase de revisão histórica.
Apresentando o novo blog

Frank Sinatra e Shirley MacLaine, Deus Sabe Quanto Amei (Vincente Minnelli, 1958)
O tempo do Chip Hazard se foi. Em janeiro de 2016, após quase doze anos com o blog antigo, abro aqui um novo blog, igualmente pessoal, mas agora com meu nome no endereço. Optei pelo título mais simples possível, mesmo correndo o risco de ser interpretado como autopromotor ou egocêntrico.
A proposta continua a mesma. Não pretendo “ler” filmes aqui, mas “ver” filmes e escrever sobre o que vi. Se de maneira errada ou não, cada filme e cada palavra é que irão dizer. Na verdade, é mesmo uma continuidade de meu blog anterior (que continuará existindo, principalmente como arquivo de textos).
Muitas vezes, quando o tempo estiver curto, reproduzirei textos que estiver lendo no momento, ou que me são especiais, ou ainda farei tops de diretores, de anos, de cinematografias, o que for (diversão faz parte da cinefilia, afinal). Podem pintar também posts com assuntos externos ao cinema, mas serão minoria (normalmente um ou outro tópico em posts com diversos assuntos).
Não permitirei comentários ofensivos. Críticas entram, desde que o comentário venha devidamente assinado. Se eu desconfiar que é fake, o comentário será limado.
Seja bem-vindo, caro leitor, ao meu novo blog.