Encerrando Gostoso

burlan

Faltou falar de três outros filmes exibidos fora de competição dentro da 5ª Mostra de Cinema de Gostoso.

Azougue Nazaré, de Tiago Melo, procura dar conta do embate entre duas tradições: a do Maracatu e a dos evangélicos. O filme é confuso. Em seu melhor, há um elemento fantástico dos mais interessantes na forma de entidades incorporadas num ritual. Mas esse lado acaba sendo sufocado pelo tanto de realismo capenga que o diretor procura colocar. Deu-me a impressão que no balanço o diretor pende ao Maracatu, mas talvez ele tenha procurado uma isenção e o olhar para o Maracatu tenha sido mais generoso de minha parte, contaminado pelos acontecimentos recentes do Brasil.

Cristiano Burlan completa sua Trilogia do Luto com Elegia de um Crime, sobre o assassinato não solucionado de sua mãe em Uberlândia por um ser que já matou outras duas mulheres e continua soltinho. Não vi o segundo da trilogia, mas o primeiro, Mataram Meu Irmão, é ainda o mais forte. O que impressiona é a frontalidade com que Burlan se abre ao escrutínio da câmera comandada por ele próprio. Há uma vontade compreensível de fazer justiça pelas próprias mãos, mas o máximo que ele pode fazer é realizar filmes. Ainda bem. Isso é verbalizado no momento mais belo, quando ele vai ter com o túmulo da mãe. Entre a prática de tiros, as entrevistas com irmãos e outros que conheceram sua mãe, as investigações sobre o paradeiro do assassino e as dolorosas lembranças materializadas em fotos, Burlan vai pavimentando um caminho pelo qual chegará à superação.

Por fim, Ferrugem, de Aly Muritiba, o filme do encerramento, eu já havia visto em Gramado. Alguns amigos detestaram, outros não se empolgaram. Estou mais para os segundos. Mas notei uma progressão em relação ao sofrível Para Minha Amada Morta. Em Ferrugem ao menos as coisas acontecem, e com isso a crítica (a um estado de coisas) pode ser esboçada. Pena que as possibilidades levantadas na primeira parte, quando Muritiba se revela um diretor mais interessante filmando adolescentes, desembocam numa segunda parte um tanto enfadonha, com um garoto insuportável de chato, outro bobo toda vida e um pai professor (Enrique Diaz) que não liga nada com nada. A mãe (Clarissa Kiste), que dizem ter salvado o filme, soou-me outra chata de galochas. A salvação é a irmã menor dessa família sonsa. Uma menina que domina as cenas em que aparece e injeta alguma vida numa segunda parte que está mais para o longa anterior de Muritiba do que para as promessas contidas na primeira parte.

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