Cinéfilo

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O título deste post não se refere à condição daquele que vê muitos filmes, mas à importante e de curtíssima duração Cinéfilo, revista semanal portuguesa dedicada a artes e espetáculos que tinha no cinema sua maior força. Pudera, era dirigida por Fernando Lopes, na altura já um grande diretor, e o chefe de redação era Antonio-Pedro Vasconcelos, que estava pronto para trilhar seu caminho na direção. Entre redatores e colaboradores, outros diretores como João Cesar Monteiro e Eduardo Geada, e ainda colaborações frequentes de Eduardo Prado Coelho e Vasco Purido Valente, o franco-atirador (e se numa revista com Monteiro, o franco-atirador não era ele, imaginem como eram os textos do Vasco).

A Cinéfilo dos anos 70* era rigorosa como não se imagina em nossos dias. Faziam uma mesa redonda com um entrevistado e o coitado ficava nas cordas desde o início, como no excelente debate que Vasconcelos e Lopes travam com o Antonio Cunha Telles, na altura de seu segundo longa como diretor, Meus Amigos, tidos pelos críticos portugueses como uma interminável sucessão de diálogos sem a menor importância. Com Antonio de Macedo foi ainda pior. À altura do lançamento de A Promessa, Vasconcelos e Lopes foram duros com o filme e com a carreira de Macedo (poupando apenas seu primeiro longa, Domingo à Tarde, e os curtas anteriores), e Macedo nunca perdeu a elegância.

Como forma de driblar a falta de tempo resultante das últimas semanas de minha temporada portuguesa, pretendo reproduzir alguns textos interessantes pelos quais passei na pesquisa, muitos deles da Cinéfilo, além de uma série de posts mais pessoais (a qual denominarei “A Minha Certidão”, em homenagem ao João Cesar Monteiro), que deve começar ainda neste primeiro semestre.

* (houve, nos anos 20 e 30, uma outra revista com esse nome; dizem ter sido a revista de cinema mais longeva de Portugal)

obs: a capa que ilustra o post é da edição derradeira de Cinéfilo, a de número 37, lançada em 22 de junho de 1974.

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