Últimos dias do ano

1. Em outros anos, é nesta época que vou atrás dos lançamentos importantes, de filmes que perdi, apesar de interessado, de filmes elogiados por críticos ou cinéfilos que respeito. Neste ano, nem sei como fazer isso. Ou melhor, sei, mas é um universo tão grande de filmes que eu nem sei por onde começar. As estreias no cinema aconteceram até o meio de março. Depois foi só em streaming ou em sala de cinema para quem quer se arriscar (não há lugar seguro numa epidemia como essa). De todo modo, o controle dessas coisas foi dificultado pelo ineditismo da situação. É também por esse motivo, mas principalmente por não gostar de fazer listas do tipo “filmes que vi pela primeira vez no ano”, sem um universo definido e que tenha algo de comum com outros cinéfilos, que neste ano não farei lista alguma de melhores.

2. Foi o ano dos festivais em streaming. Como perdi mais uma vez a Mostra de Tiradentes, em janeiro, não pude acompanhar presencialmente festival algum (o último tendo sido o Fest Aruanda, em dezembro do ano passado). Alguns festivais online eu acompanhei bem (Ecrã, Olhar, Mostra SP), outros acompanhei bem menos ou nada (Forum Doc, Indie, CinePE, Festival de Brasília, entre muitos outros). Não foi por falta de interesse. Não se pode ver tudo.

3. Isto não é uma retrospectiva do ano. Mesmo porque 2020 ainda não acabou e talvez eu faça um novo post antes de acabar. Mas foi o ano em que descobri a possibilidade de dar cursos online, algo que sempre evitei por sentir que faltava interação com os alunos. Estava enganado, e a possibilidade de dar aulas para 80% ou mais de pessoas de outras cidades, que não conseguiriam acompanhar os cursos se fossem presenciais, é uma das grandes vantagens do formato. Sinto falta, obviamente, dos encontros e das aulas presenciais. Não vejo a hora de voltar a uma sala de aula que não seja a minha casa. Mas é inevitável, pelo menos para mim, a manutenção dos cursos online em paralelo com os presenciais.

4. Foi também o ano em que muitos deram a desculpa da pandemia para precarizar serviços e trabalhos. Talvez a maior vítima foi o jornalismo. Tanto o impresso quanto o televisivo já não eram grande coisa, e estão piores a cada dia, com excesso de repetições, manchetes com distorções, reportagens sobre as pessoas que ignoram o distanciamento social e parecem alimentar a vontade de outras pessoas ignorarem também, reforçando um círculo vicioso do egoísmo e da irresponsabilidade. Essa pobreza me parece ser uma opção. O jornalismo, hoje, principalmente no Brasil, é exceção. Está em 10% dos maiores jornais, em uma porcentagem não muito maior em veículos independentes e em 20%, mais ou menos da Globonews e da TV Cultura, apesar do viés neoliberal dos patrões. Na hora de saber por onde nos informarmos, temos, aí sim, uma escolha difícil.

5. Tive dois meses intensos entre festivais de cinema e cursos inéditos, que me deixaram bem ocupado (felizmente). Com isso este blog ficou sem atualizações semanais. Esta semana foi de descanso. Na próxima as coisas devem voltar ao eixo. E que venha a vacina. E que venha para todos e sem maior atraso (é pedir muito de um governo incompetente como esse, para dizer o mínimo).

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