Mostras, mostras e mais mostras

saragoca

– Acabo de voltar de Curitiba, onde passei cinco dias acompanhando o 5º Olhar de Cinema. Fora os clássicos exibidos em DCP, ótima oportunidade para rever Mouchette, Como Era Verde Meu Vale e O Manuscrito de Saragoça, entre outros, tive ao menos três boas surpresas: o chinês Um Outro Ano, o paraguaio A Última Terra e o curdo/canadense Gulistan: Terre de Roses. Dois desses filmes, o primeiro e o terceiro, são dirigidos por mulheres. Gulistan, de Zaynê Akyol, tem sua força na maneira como mostra as soldadas que lutam contra o ISIS nas montanhas do Curdistão. Belas e fortes mulheres, brilhando num mundo ainda dominado pela brutalidade masculina. A Última Terra, de Pablo Lamar, é tudo que Lisandro Alonso tenta fazer desde o começo de sua carreira, chegando perto apenas em La Libertad. Um Outro Ano, de Shengze Zhu, é uma das raras felizes incursões pelo filme-instalação, porque parece instalação, mas nunca deixa de ser cinema. O balanço da edição virá em breve, na Interlúdio.

– Já está rolando em diversos cinemas a 5ª Mostra Ecofalante (outro festival em sua quinta edição, por coincidência). Suas duas principais atrações acontecem na Cinemateca, e são O Diabo Provavelmente, penúltimo filme do gigante Robert Bresson, e Le Joli Mai, o melhor filme de Chris Marker (com co-direção de Pierre L’Homme). Fora isso, os filmes naturistas de Jean Painlevé são ótimas pedidas, assim como duas raras pepitas de Jean Epstein.

– Em julho será a vez de Thom Andersen, que ganha retrospectiva de sua carreira no CCSP graças aos incansáveis Aaron Cutler e Mariana Shellard. Não sou muito entusiasta de seu filme mais famoso, Los Angeles Plays Itself. Parece coisa de Rosenbaum e Sadoul com seu desprezo ao Cecil B. De Mille (chamado de reacionário) e repete-se um tanto, como no longo trecho sobre Chinatown. Mas sua carreira é curiosa, com curtas interessantes e o inusitado e jornalístico Red Hollywood. Goste-se ou não, o que importa é que sua obra precisa ser vista e, se for o caso, questionada.

2 Respostas

  1. oi Sergio
    Aquele teu projeto de top 100 filmes brasileiros ainda vai pintar na interludio?

    Abraços

    1. Vai sim, Daniel. Só não sei quando. Mas é certo que pinta ainda neste ano.

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