Cinema brasileiro invisível

pitanga

Estava vendo o longa Pitanga, de Beto Brant e Camila Pitanga, nada mais que um encontro do importante ator Antonio Pitanga com amigos e parceiros de cinema e teatro que poderia ser dividido em programas de entrevistas. Algo entre o chapa-branca e a biografia pouco imaginativa de um artista com uma bonita história de vida (costumeiro álibi para se justificar o que quer que seja).

Nele me chamou atenção o desfile de cenas em boa qualidade de filmes clássicos do cinema brasileiro: Rio Babilônia, Ganga Zumba, A Grande Feira, Compasso de Espera, entre muitos outros. Talvez esses filmes já circulem em DVD, no Canal Brasil, ou em algum outro lugar e eu esteja por fora. Mas penso que boa parte deles é praticamente invisível. Um crime. No filme tem cenas em impressionante HD de Uma Nega Chamada Tereza, uma das várias raridades de Fernando Coni Campos (que não possamos ver a maioria de seus filmes me parece um escândalo, como o é não podermos ver a maioria dos filmes de Paulo Cesar Saraceni).

Muitos cineastas contemporâneos gritam quando se sentem ameaçados porque podem perder a boquinha dos editais, mas ninguém mais grita porque filmes brasileiros essenciais ficam praticamente no ostracismo, sem serem descobertos por novas gerações. É um mecanismo da ignorância (no mínimo) tão grande quanto o dos que dizem que o cinema brasileiro nunca esteve tão bom.

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