Um plano de Como Nossos Pais

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Há um plano absolutamente ridículo em Como Nossos Pais. Maria Ribeiro vai para Brasília encontrar o pai. E Laís Bodanzky nos mostra ela nua, caminhando para a janela enorme de seu quarto de hotel, com a vista frontal para a Esplanada dos Ministérios, cartão postal de Brasília. Ou seja, ela não tinha dinheiro para nada, tinha acabado de ser demitida da empresa onde trabalhava, mas gastou uma bufunfa num hotel de luxo em Brasília, cidade em que hotéis furrecas custam uma fortuna. Além disso, a cena parece, pela postura corporal da atriz, uma brincadeira com aquela famosa cena em que Paola Oliveira aparece seminua, também de costas para a câmera, em alguma minissérie global.

O plano se torna ainda mais ridículo porque destoa de todo o resto do filme, que até então caminhava razoavelmente bem, e depois voltaria aos trilhos, muito graças às atuações, principalmente as de Maria Ribeiro e Clarisse Abujamra (mas todo o elenco vai bem, exceto Herson Capri, que não se sai muito bem como político, com aquela voz excessivamente aveludada).

Não tinha ninguém para avisar a Laís que esse plano estava ruim? Ou eu deixei de perceber seu significado? E se há um significado, este é necessário nesse momento e nesse filme de tanto realismo e corações expostos? Seria para mostrar sua sensualidade aos quarenta anos (pelo que entendi, a personagem tem menos que isso)?

Claro está que um único plano não vai arruinar um filme. Não existem filmes perfeitos, nem filmes feitos só de belos planos. Mas não precisava. Não mesmo. O todo é convincente e estou convencido de que esse plano não cabe nele.

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