Apenas um garoto em Nova York

The Only Living Boy in New York

Com Apenas um Garoto em Nova York, Marc Webb atinge a maturidade, após o romance indie (500) Dias com Ela e a “contemporanização” do Homem-Aranha (que depois seria ainda mais “contemporanizado”, como se fosse possível). Não vi Gifted, o filme anterior, então não sei dizer exatamente se Apenas um Garoto é a confirmação da maturidade ou a maturidade enfim.

É um filme agradável, de todo modo, apesar de alguns clichês que, mesmo trabalhados como clichês, não representam um alento, como o da separação na chuva e os ambientes de editores chiques de Nova York – e sobretudo uma mesa de jantar que parece derivação barata dos filmes de Woody Allen, principalmente pela conversa sobre os rumos que a cidade (e a literatura) tomou (a presença de Wallace Shawn informa a possibilidade de ter sido proposital a semelhança).

Hoje em dia, a maturidade de um diretor vem quando o filme é passável, ou mesmo simpático. Reflexos de nossos tempos.

Webb deixou de lado qualquer pretensão autoral (ao contrário de Allen, que acertando ou errando pensa muito na câmera) e permite que os atores brilhem. Essa tem sido a tônica da maior parte dos filmes bem-sucedidos do cinema americano, de qualquer parte entre Sundance e Hollywood. Uma vez que atrizes e atores bons despencam de árvores, melhor que a direção não se arrisque muito. Melhor também que as coisas na trama não se encaixem demais. Elas se acertam de alguma forma, mas dentro de um limite em que os futuros dos personagens permanecem incertos e abertos a felicidades e infelicidades diversas, por mais que o pior tenha passado.

No campo da interpretação, o filme é de Jeff Bridges, embora ele esteja no mesmo papel que tem interpretado nos últimos 10 ou 15 anos, ou seja, o de Jeff Bridges. Seu carisma sustenta roteiros problemáticos e direções engessadas e levanta as interpretações de quem o rodeia. Mas há também Pierce Brosnan e Kate Beckinsale, que parecem donos de beleza eterna, um ator, Callum Turner, que, com óculos de aros grossos, reforça ainda mais a semelhança com um jovem Woody Allen, e uma das atrizes mais belas da nova geração: Kiersey Clemons. Como se não bastasse, a talismã Cynthia Nixon, que arrasa como a madura Emily Dickinson em A Quiet Passion, faz o papel da mãe do protagonista alleniano, à qual é reservada uma virada importante na história.

Saudades de quando filmes assim, a que se pode assistir sem grandes sobressaltos e sem tapar os olhos para situações grotescas, eram mais corriqueiros.

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