Fora do cinema

riot.narita

De vez em quando, gosto de escrever sobre outros assuntos. Quando isso acontece, busco alguma capa ruim de disco. Desta vez a escolhida foi a capa de um bom disco de 1979 da boa banda Riot. Feito o aviso, meu lado rabugento se impõe:

– Neymar vitorioso, medalha de ouro no pescoço, fala para Cícero Melo, da ESPN, que sabe ter sido muito criticado pelo canal, mas não paga “mal com mal”. Essa é a ideia que o brasileiro tem da crítica (e falo do brasileiro no geral, sabendo das exceções, porque o conheço bem, ando muito nas ruas, de ônibus, metrô, e ando sem fones de ouvido, ou seja, ouço o que as pessoas falam). Não entendem que na verdade só critica quem ama. Porque não existe crítica sem amor. Pode até se disfarçar de crítica, mas é só disputa de espaço, vaidade, vingança ou alguma outra coisa, se não tem amor. Quem critica filmes ama o cinema. Críticas constroem, adesões automáticas, elogios fáceis e bajulações destroem.

– Aliás, sempre que ouvi alguém falando em crítica da crítica o que veio a seguir é a mais pura besteira. Não que a crítica da crítica seja algo impossível. Mas é que normalmente é pleiteada por quem não tem a menor noção do que é a crítica.

– Ufanistas vão chiar, mas achei esse ouro no Volei bem esquisito. Em pelo menos dois momentos decisivos em que a Itália não tinha mais desafios a pedir a decisão do juiz, protestada pelos italianos, foi favorável ao Brasil. Até aí, normal. Mas não houve replay desses momentos, e isso me parece suspeito. O comentarista Maurício Jahu falou de invasão do Wallace, mas o desafio brasileiro se referiu ao toque dos italianos. Não entendo muito das regras do volei, mas tudo isso me pareceu um tanto tendencioso. Tenho birra com essa seleção desde que jogaram para perder num torneio poucos anos atrás. Com lances assim, não reprisados pela televisão em dois sets definidos em pequenos detalhes, fica um clima forte de ajuda exterior nessa vitória.

– Que os ânimos estão exaltados não é novidade. E a maldita mania de se opinar sobre todos os assuntos parece ter contaminado 3/4 de mundo ou mais. Mas temo que os limites já tenham sido ultrapassados há um tempo nas redes sociais. Não conheço André Forastieri pessoalmente, mas conheço gente que o conhece. Nunca ouvi uma queixa sequer dele, pelo contrário, só coisas boas sobre sua índole, e para mim é isso que vale. Ele tem, sim, um lado polemista meio besta, e eu discordo de 90%, mais ou menos, do que ele escreve quando movido por esse lado. Mas por que ele haveria de escrever para que eu concordasse? Ou para que as pessoas concordassem com ele? Para isso já existem os inúmeros pregadores para convertidos que andam por aí, geralmente os mesmos que, na vida real, puxam tapete, ignoram presenças de trabalhadores que eles consideram inferiores, e outras coisas típicas desses falsos humanistas de facebook. Já li coisas absurdas ditas contra Forastieri; que é um lixo, que merece ter morte bem lenta e sofrida, e coisas afins. Não vou cometar o erro de achar que essas pessoas que agem como fascistas no facebook o são também na vida real. Mas se exibem na rede como fascistas e já passaram do ponto, sendo muito pior do que aqueles que elas condenam.

– Nas últimas rodadas do primeiro turno do Brasileirão, o Corinthians, meu time, foi ajudado, sim. Cássio devia ter sido expulso contra o Figueirense (muito longe do fim do jogo), e fez penalti no jogo seguinte, contra o Cruzeiro (mas ele não devia ter jogado, e em seu lugar jogaria o Walter, em melhor fase, vejam a ironia), mas o juíz ignorou a infração, que aconteceu ainda no primeiro tempo. O Palmeiras foi ajudado em dois jogos também. Conseguiu o empate contra o Chapecoense num penalti totalmente inventado nos últimos minutos do jogo. E a vitória contra o Inter porque o juíz não quis ver o salto no vácuo com joelhada dado pelo Zé Roberto no jogador colorado, aos 43 do segundo tempo. Na ESPN, canal que sigo e considero o melhor em matéria de esporte, as ajudas para o Corinthians, que renderam apenas dois pontos, foram muito lembradas e tratadas como um escândalo (até mesmo quando o assunto era outro), principalmente pelo Mauro Cezar, um dos meus comentaristas preferidos (porque sempre crítico), mas que têm revelado uma tendência assustadoramente parcial ultimamente. Enquanto isso, pouco se falou das ajudas ao Palmeiras, que renderam ao time três pontos, um a mais que as ajudas ao Corinthians. Parece não existir imparcialidade no jornalismo futebolístico.

2 Respostas

  1. O jornalismo da ESPN perdeu tanto nestes últimos anos, que nem sei por onde começar. O próprio Mauro, para mim, faz o jornalista-chiuaua: late, late, baba, late, mas o faz quando está só. Quando está na presença das personalidades que ele tanto critica, fica pianinho, pianinho e não morde. Isto pra não falar do lado chauvinista dele.
    Do restante, o Forastieri nada mais quer que gerar cliques, do jeito mais imbecil possível.

    1. saudades do PVC. Até o Mauro ficou pior depois que ele se foi.

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