Portugal, maio de 2017

tavira

uma rua na bela Tavira

Uma viagem de 23 dias a Portugal me tirou deste espaço. Não precisava, mas assim aconteceu. E voltar é sempre difícil (ao blog, ao país e sua pobreza de pensamento, à insegurança de minhas andanças pelas ruas paulistanas, etc).

Ficarão para sempre comigo os jogos de sinuca com José Oliveira, João Palhares, Marta Ramos e Mário Fernandes (este último meio que fugiu após a primeira derrota, mas está perdoado… rs), as conversas com o sábio José Lopes, os jantares oferecido pelo casal Marta e José, a beleza das igrejas e as inúmeras andanças por uma sempre mágica Lisboa (cada vez menos mágica por conta da gentrificação e dos turistas, mas como é mágica à beça, ainda tem boa sobra para alguns anos mais, talvez muitos).

Para mim, foi uma viagem cinematográfica (e assim justifico o post). Conheci parentes distantes em Arrifana, freguesia da Guarda (agradeço ao meu primo Alexandre por ter desbravado anteriormente o caminho). Foram muito receptivos, acolhedores e simpáticos. Foi muito emocionante o encontro. Maria “São” Alpendre, prima de segundo grau que eu não conhecia, me levou para um ótimo restaurante nos arredores. Saí com a promessa de voltar. E voltarei.

Andar de carro pelo país é outra experiência inesquecível. Saindo de uma estrada que liga o Algarve ao Alentejo, depois de Alcoutin, caio numa estradinha pequena e fechada, que parece estrada de sonho, e nela levo cerca de uma hora (mais pela baixa velocidade necessária do que pela distância). Quando acabam as curvas e a estrada se abre, me deparo com o enorme castelo de Mértola. Deu vontade de conhecer melhor a cidade, mas existia ali alguma festividade de ocasião, o que dificultava encontrar uma vaga para deixar o carro. Resolvi então rumar diretamente para Évora, com a intenção de voltar a Mértola numa outra ocasião. Dizem que a vista da estrada no sentido oposto é também impressionante, porque se vê o castelo à distância, da planície, até que chegamos a ele.

Em Portugal, como já disse anteriormente, respira-se cinema de maneira mais saudável. Lá existe uma Cinemateca de Verdade, que passava Otto Preminger em película, com cinco dos filmes exibidos com apresentação e debate com Chris Fujiwara. Faltam só voltar aos catálogos. Vi The 13th Letter (no Brasil, Cartas Venenosas), uma bela refilmagem de O Corvo, de Henri-Georges Clouzot. Vi também, no circuito, o novo de James Gray, por aqui intitulado Z – A Cidade Perdida. É também um belo filme, num primeiro momento um tanto diferente em sua carreira, mas não tanto com o passar das sequências, e sobretudo com o cuidado formal, sua característica.

No Fundão, os Encontros Cinematográficos. Fui convidado pela segunda vez, agora para a homenagem ao Andrea Tonacci, com exibição dos curtas Olho por Olho e Blá Blá Blá, e do longa Bang Bang, em película, cortesia da Cinemateca Portuguesa, que cedeu o projetor e o projecionista, cópia da Cinemateca Brasileira. Teve também homenagens a Michael Cimino e Alberto Seixas Santos, e um livro que reúne textos publicados ou republicados pela Foco, coroando o trabalho estimável da revista.

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