Pensamentos rápidos sobre a qualidade da imagem

tumulodosol

Cena de grande violência em O Túmulo do Sol, de Oshima

Reparo que hoje a maior neurose entre os cinéfilos é a qualidade de imagem. “Não é 1080p? Puxa, ok, pelo menos dá para quebrar o galho com uma cópia 720p”. E no fundo esses pequenos “pês” indicam mesmo uma diferença, assim como o formato de compressão. É melhor ver um mkv do que um avi. O sistema de compressão do matrioska é muito melhor. Mais ainda se for 720p (HD) ou 1080p (Full HD) no lugar do 480p que é do DVD, ou menos, como a maioria das imagens no YouTube.

Mas penso que o maior ganho está na passagem do VHS para o DVD, e não só pela definição superior do último, mas principalmente pelo respeito da maioria dos DVDs (algumas majors e distribuidoras de fundo de quintal a parte) ao formato de tela, o velho e bom aspect ratio. Sempre pensei ser o mais importante nos filmes. Desde que, no início da cinefilia, uma fita em que tinha gravado A Queda do Império Romano do canal Mundo, que o exibiu em scope, acabou antes do fim e eu tive de terminar o filme com uma antiga gravação da TV aberta, em fullscreen. Virou outro filme, e muito pior.

Digo isso também porque revi trechos de O Túmulo do Sol (1960), terceiro longa de Oshima, numa cópia tirada de VHS, sem muita definição, mas com o formato scope preservado. E a grandeza do filme continua lá, intacta, com o quadro pensado por Oshima sendo respeitado o tempo todo. Claro que algumas cenas escuras sofrem com isso, mas o essencial pode ainda ser visto.

Então muitas vezes acho que todos nós andamos meio chatos com esse negócio da qualidade da imagem, quando vemos filme em casa. Justamente porque a vantagem da tela pequena é comportar qualidades diversas sem muita perda, ao passo que no cinema, se o projetor estiver descalibrado e a imagem muito estourada (raramente acontece) ou muito lavada (o que é mais comum), nossa experiência é bem mais prejudicada porque essas distorções irão gritar na tela grande. Sei, contudo, que sou minoria nessa questão.

7 Respostas

  1. Avatar de Alexandre

    Só gostaria de fazer uma retificação, a de que mkv e avi não são formatos de compressão e sim formatos recipientes (de container) onde o formato de compressão pode variar. Então é possível ter um avi com o memso formato de compreesao de um matroska, embora na grande maioria dos casos você não irá encontrar um pronto, ainda mais com a um tamanho de imagem grande, como 1080 e 720p

    1. Avatar de Sérgio Alpendre

      obrigado pelo esclarecimento, Alexandre.

  2. Avatar de OTÁVIO GOMES FILHO

    Sergio você lavou minha alma…rs.

    Tenho 35 anos, ou seja, convivi muito com as fitas vhs. Que enroscavam, que mofafam, que o videocassete mastigava. Sem contar que vinham com o enquadramento alterado.
    Hoje vejo as pessoas falando em 720p (HD), 1080p (Full HD) e até quem já chame o Bluray de ultrapassado. É uma loucura cada vez maior atrás daquele formato “perfeito” que muitos nem percebem que o grande salto já foi dado: do VHS para o DVD.

    Sem contar o preço. O Bluray ainda é, no mínimo, o dobro do preço de um dvd,e, na minha opinião, salvo alguns filmes como por exemplo Lawrence da Arábia, a diferença de imagem entre um bom dvd e um bluray é muito menor que a dieferença de preço entre eles.

    1. Avatar de Sérgio Alpendre

      sim… e a oferta de blu-rays ainda é pequena no Brasil. Muitos filmes de super-heróis e poucos clássicos.

  3. Avatar de Leonardo

    Você se incomoda em ver filmes no computador?

    1. Avatar de Sérgio Alpendre

      não me incomodo. Mas normalmente passo para um pendrive, espeto no blu-ray e vejo na TV.

      1. Avatar de Leonardo Martins Schaly
        Leonardo Martins Schaly

        Hehehe eu também! Entrada usb em TV é uma maravilha

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