Arquivos Mensais: março \31\UTC 2016

A Bruxa

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– (para ser lido por quem já viu o filme, ou por quem não se importa com spoilers)

Em seu obrigatório livro Hollywood From Vietnam to Reagan… And Beyond, Robin Wood passa pela teoria psicanalítica segundo Gad Horowitz (após Freud, Marcuse e Reich), para indicar que o cinema de horror americano, a partir da década de 1960, exemplificava à perfeição a tese do eterno retorno do reprimido. O que é reprimido, nos diz a psicanálise, tende a retornar sempre. Os diretores do gênero a partir dessa década passaram a construir filmes em que o mal não pode ser destruído, ao contrário do horror predominante até então, em que o mal é destruído e um par romântico é formado e consolidado em seu final.

Lembrei disso ao ver o curto, direto e eficiente A Bruxa, longa de estreia de Robert Eggers. Na metade do filme, até mesmo antes, já percebemos que os personagens estão diante de algo invencível, uma força que os rege e os leva ao caminho da discórdia. A trama se passa em 1630, mais ou menos 60 anos antes do julgamento do famoso caso das bruxas de Salem, também ali, na Nova Inglaterra, costa leste dos EUA.

Pensando em cinema, e só nele, a trama que Robert Eggers costura com alguma habilidade não tem nada de nova. Vemos uma bela garota na puberdade, idade em que ela já pode conscientemente tomar contato com o mal. Ela é Thomasin, a mais velha dos cinco filhos do casal William e Katherine. O mais novo, Samuel, ainda bebê, desaparece sob seus cuidados. Katherine, principalmente, começa a suspeitar da culpa da menina. Outras coisas estranhas começam a acontecer, mas Thomasin é sempre poupada. Não acreditamos que ela tenha alguma culpa, mas suspeitamos de que ela é escolhida para algum tipo de feitiçaria ou seita satânica, provavelmente por sua beleza e seu poder de sedução não exatamente sexual, mas quase (bem, Polanski nos anos 70 certamente cairia por ela). Caleb, o segundo filho, tem seu despertar sexual observando o volume dos seios por baixo da blusa da irmã. Logo, ela introduz inocentemente o pecado na família. E se pode introduzir o pecado no seio de uma família religiosa, pode também ter contato com o tinhoso.

É um aspecto inteligente do filme deixar essas coisas meio enevoadas. Percebemos claramente o interesse sexual de Caleb. Mais tarde ele será atraído pela bruxa da floresta em sua personificação mais bela e sensual. Mas o filme não explicita o que acontece com seu desejo, com seu corpo, e mesmo porque ele virá a falecer. Apenas indica que o conflito interno que passou a fazer parte de sua constituição, o velho conflito entre o Bem e o Mal, é que o matou, porque intensificado, turbinado pela magia da bruxa. No mais, todos temos esse conflito, e a própria conversão de Thomasin no final só é facilitada porque ela não encontrou no pai e nos demais familiares um possível apoio contra o mal que cercava a casa e a plantação de milho da família. Abandonada, ela aceita a companhia do único ser vivo que sobrou, o bode Black Philip, e vende sua alma ao demônio.

O terço final lembra mesmo o horror dos anos 1970, sobretudo O Homem de Palha e Salem’s Lot, de Tobe Hooper (ou o que lembro deste último), possíveis referências para Eggers. A fotografia do até então pouco conhecido Jarin Blaschke aproveita ao máximo a luz natural e compõe imagens de baixa saturação, quase descoloridas; é um ingrediente importante na construção do clima de terror.

O filme foi rodado no formato 1.66:1, talvez para reforçar o aspecto horror europeu (ou europeizado) dos anos 70. Mas tenho minhas dúvidas de que o 1.66 seria mais efetivo nesse caso do que o 1.33:1, que reforçaria a composição na vertical e a estranheza dos enquadramentos. Para Blaschke, o 1.66 é suficientemente retangular para enquadrar a família toda junta. Mas não são muitos os momentos em que todos aparecem juntos no mesmo plano, de modo que a escolhe me pareceu um tanto arbitrária.

Ainda assim, se no ano passado tivemos o surpreendente Corrente do Mal em nossos cinemas, este ano somos brindados com um outro filme forte de horror, ainda que não possamos falar em surpresa, já que o hype em torno de A Bruxa é alto desde o ano passado, após passagens por Sundance, Karlovy Vary, Sitges e outros festivais.

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Os 20 filmes de cabeceira (de hoje)

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Vários leitores me pedem uma lista dos meus filmes preferidos, impulsionados pela minha declaração de que A Noviça Rebelde provavelmente seria um deles. Mal sabem eles que sei desse e de mais alguns poucos, mas fechar em dez, quinze ou vinte, deixando tantos outros de fora, não sei. Então faço a lista de hoje, com prazo de validade de apenas 24 horas (vá lá, 48 horas). E com 20, um de cada diretor, porque com 10 seria impossível. E no fluxo da memória, sem substituições de última hora. Mesmo assim, muitas ausências me incomodam: Godard, Chabrol, Lubitsch, Welles, Vidor, Rohmer, Eastwood, Scorsese, Aldrich, Fuller, Imamura, Ozu, os dois Kurosawas (Akira e Kiyoshi), Naruse, Peckinpah, Coppola, Syberberg, Straub, Erice, Oliveira (lamentável ausência), Monteiro, Glauber, Bressane, Tonacci, Pasolini, Zurlini… Tantos outros não lembrados de pronto. Uma lista de 100 ou 200 seria mais justa. Mas isso só dá para fazer com patrocínio.

Aurora (Sunrise, 1927), de F.W.Murnau

No ano retrasado, formulei a ideia de que nenhum aluno poderia tocar numa câmera antes de ter visto este filme monumental em que Murnau chuta a porta da Fox e de Hollywood.

Peregrinação (Pilgrimage, 1933), de John Ford

Ford, herdeiro de Griffith, aqui demonstra clara influência de Murnau. Há historiadores que dizem que Ford só se tornou grande após ter tomado contato com a obra de Murnau.

Um Dia no Campo (Une Partie de Campagne, 1936), de Jean Renoir

Cinema moderno é isso. O filme incompleto de Renoir não parece na verdade incompleto. A câmera no balanço iria inspirar outro filme desta lista: Charulata. O final é de causar síncopes.

Com um Pé no Céu (One Foot in Heaven, 1941), de Irving Rapper

Já valeria pela cena em que noivo e noiva concordam em seguir uma nova vocação, religiosa. A luz se faz por trás deles, na rua, mas iluminando todo o quadro. Tem muitas outras, tão inspiradas quanto essa.

A Sombra de uma Dúvida (Shadow of a Doubt, 1943), de Alfred Hitchcock

Hitchcock dizia ser este o melhor entre seus filmes. Acho isso também, empatado com Um Corpo Que Cai e Os Pássaros.

Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard, 1950), de Billy Wilder

Um filme perfeito, de estrutura magnânima, sobre a crueldade da indústria cinematográfica. Pude vê-lo no cinema, na antiga Sala Cinemateca, em Pinheiros.

Laços de Sangue (Hard, Fast and Beautiful, 1951), de Ida Lupino

Entre quatro ou cinco obras-primas dirigidas pela grande Lupino, escolho este filme, um dos mais inusitados e bem dirigidos entre todos os filmes que vi. E também aquele que não deixa dúvidas: ela era craque da mise en scène.

O Intendente Sansho (Sansho Dayu, 1954), de Kenji Mizoguchi

Poderia ser Conto dos Crisântemos Tardios, Senhorita Oyu ou A Vida de Oharu. Mas Sansho sempre se impõe, revisões a fio.

No Silêncio de uma Cidade (While the City Sleeps, 1956), de Fritz Lang

O cinema da crueldade. Lang extremamente coerente com sua carreira, desembocando neste filme em que ninguém presta (mas torcemos para Thomas Mitchell, como não?).

A Herança da Carne (Home From the Hill, 1960), de Vincente Minnelli

O ocaso dos grandes estúdios. Hollywood à deriva. Cai a família de sangue, patriarcal. Surge uma nova configuração familiar.

O Anjo Exterminador (El Angel Exterminador, 1962), de Luis Buñuel

O filme que representa o nascimento de minha cinefilia. Nunca tive tanta sintonia com nenhum outro diretor.

O Leopardo (Il Gattopardo, 1963), de Luchino Visconti

Faz tempo que não revejo, mas as duas vezes que o vi no Cinesesc, naquela tela gigante, quando a primeira versão restaurada chegou ao Brasil, me deixaram marcas profundas. Nunca mais fui o mesmo cinéfilo.

A Esposa Solitária (Charulata, 1964), de Satyajit Ray

Lembro do Ruy Gardnier olhando para mim e rindo de minha cara de extasiado com este filme mágico, visto pela primeira vez numa Mostra Internacional de São Paulo, na Sala Cinemateca (se não me engano, logo depois de ter mudado para o matadouro).

A Noviça Rebelde (The Sound of Music, 1965), de Robert Wise

A cada revisão se revela maior. Onde isso vai parar? Wise sempre subestimado. Rodgers e Hammerstein geniais.

Quando o Amor é Cruel (L’Incompreso, 1967), de Luigi Comencini

O melodrama por excelência. Impossível ver sem chorar. Duas crianças, uma mãe doente, uma governanta desesperada, um casarão e um pai ausente.

Deixem-nos Viver (Alice’s Restaurant, 1969), de Arthur Penn

O comentário definitivo sobre a contracultura. Penn já mostrava seu ocaso antes mesmo de ele acontecer (vide a cena inesquecível do funeral). Finalmente saiu em DVD no Brasil. Poderei aposentar a cópia do americano que usava em aulas.

Satyricon (1969), de Federico Fellini

Sendo extremamente fiel a recentes revisões, coloco Satyricon no lugar de Roma (que seria a escolha até fevereiro deste ano), ou de A Doce Vida (escolha de 2013 e 2014), ou Oito e Meio (escolha antes de 2013) porque se confirmou em minha mente e meu coração como uma obra-prima definitiva sobre a decadência moral (no caso, do Império Romano). Palmas para a fotografia do grande Giuseppe Rotunno.

Sem Essa Aranha (1970), de Rogério Sganzerla

Poderia ter colocado algum do Glauber Rocha, diretor que sempre amei. Mas este alucinado longa de Sganzerla é meu filme brasileiro preferido já há dois anos, mais ou menos.

Num Ano de Treze Luas (In Einem Jahr mit 13 Monden, 1978), de R.W.Fassbinder

O maior filme de Fassbinder. O mais arriscado, o mais impactante (a cena do suicídio testemunhado por Elwira é inesquecível), o mais torto (a homenagem a Jerry Lewis, que diabos é aquilo?), o mais alusivo.

O Rio dos Vagalumes (Hotaru Gawa, 1987), de Eizo Sugawa

Filme raríssimo, que só vi uma vez, em prantos, no Cinesesc, graças à Mostra Internacional de São Paulo e à propaganda de Carlos Reichenbach, grande admirador do Sugawa. Foi em meados dos anos 1990, uma de minhas experiências mais marcantes numa sala de cinema.

A Intrusa

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Resolvi rever alguns filmes do Carlos Hugo Christensen, diretor argentino radicado no Brasil que já havia me impressionado no passado. Não só revi, como vi um que nunca tinha visto: A Morte Transparente, um bom longa de 1978. Mas esses dias revi A Intrusa, o primeiro filme dele que conheci, muitos anos atrás. Na minha cabeça era uma adaptação quadrada de um conto de Jorge Luis Borges. Talvez porque eu estivesse descobrindo Glauber Rocha e Júlio Bressane no mesmo momento. Agora o considero bem inventivo, com uma maneira pouco comum de expor personagens e uns cortes belos porque inesperados. Pode-se dizer o que for de seus filmes, mas nunca que são previsíveis. As histórias que conta podem até conter uma série de soluções já esperadas, mas as maneiras como chegamos a essas soluções tendem a ser no mínimo malucas.

Em A Intrusa, Eduardo, o irmão Nilsen mais novo (Arlindo Barreto, que depois seria o Bozo), vê Cristiano, o mais velho (José de Abreu), passar com sua nova esposa Juliana (Maria Zilda) e fica visivelmente incomodado. A câmera então faz uma rápida panorâmica até dois velhos sentados num banco e um comenta para o outro, em tom galhofeiro: “sabe por que Cain matou Abel?”. Lembraremos disso mais tarde, quando ao ver uma cobra se aproximando do irmão mais velho, o mais novo hesita antes de avisá-lo.

Também o modo como entram os créditos, depois de alguns minutos, é impactante: assim que percebemos “ah, essa é a intrusa”, o nome do filme é estampado na tela. Essa mulher, aliás, é apresentada como uma aquisição de algum mercado – e depois veremos que ela é mesmo uma mercadoria nos pampas gaúchos do fim do século 19.

Em outro momento, vemos o mais velho dos Nilsen andando por sua cabana, a câmera a acompanhá-lo, até que ele abre uma cortina e o corte nos mostra a intrusa em sua cama, olhando fixo para ele. Mais tarde, o mesmo procedimento se repete com o irmão mais velho. Simples, mas com um tipo de sintonia muito precisa, difícil de se ver. Christensen dominava a tradição, e assim podia colocar pitadas de invenção com maior força, mesmo no que é aparentemente convencional.

Fora que é tão bom ver filme brasileiro bem encenado, com uma câmera sempre bem pensada, e com alguns dos zooms mais interessantes que se viu por aqui. Seria bom que nossos atuais cineastas voltassem aos filmes de Christensen.

A Noviça Rebelde

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O post seria sobre A Intrusa, que revi por estes dias, mas tive de escrever este no lugar, de supetão, movido por uma nova revisão de A Noviça Rebelde, o filmaço de Robert Wise criminosamente adulterado pelo Telecine Cult – passou em 1.78:1, quando o formato certo é 2.35:1. Ou seja, a falta de tarjas em cima e em baixo faz com que às vezes uma ou duas das sete crianças fiquem fora do enquadramento em que deveriam estar. Antes do DVD, lamentávamos o full screen dos filmes passados na TV ou lançados em VHS. Mas entendíamos que ver na TV era uma perda muito maior, mas necessário para o aprendizado cinematográfico. Hoje, com as TVs grandes e os DVDs e Blu-rays no formato certo, parece-nos impensável ver um filme desrespeitado desse jeito.

O fato é que A Noviça Rebelde se aguenta muito bem, mesmo com os problemas no enquadramento televisivo. Impossível esquecer o chiaroscuro nas cenas do convento e o encontro final com a madre superiora, quando ela canta (foto) uma das mais belas canções já compostas por Rodgers e Hammerstein, “Climb Ev’ry Mountain”, e convence a noviça Julie Andrews a seguir o caminho de seu coração, preenchendo novamente com música a casa dos Von Trapp. Outro momento convidativo às lágrimas é quando Julie Andrews canta “My Favorite Things” (Rodgers e Hammerstein, gênios) para as crianças, que foram se proteger dos trovões em seu quarto.

Quando ela sai do convento rumo à mansão do Capitão Von Trapp temos Hollywood sendo influenciada pela Nouvelle Vague, com cortes absurdamente modernos, como bem observou o amigo Francisco Conte. E também quando se casa: corta da penumbra do jardim onde o capitão se declara para o véu de noiva já caindo no rosto dela. Depois um plano mais aberto no convento para vermos o vestido branco todo em contraponto ao preto das roupas das freiras. Depois o órgão da igreja, a caminhada até o altar, a câmera subindo até o alto do altar e, num corte, subindo aos céus como se tivesse quebrado o teto da igreja, os sinos badalando. A perfeição. Corta de novo, desta vez para a sombra do nazismo que introduzirá o terceiro ato.

Não é só uma obra-prima esse filme que mostra como Hollywood pode ressurgir das cinzas frequentemente com sua fábrica dos sonhos. No momento, provavelmente é um dos meus dez filmes de cabeceira.

O retorno do filho do post esquizofrênico

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O Despertar da Besta, de José Mojica Marins

– Novo blog, velhos costumes. Bem, nem todos. Espero não deixar este blog abandonado como deixava o anterior. Mas eis a volta do post esquizofrênico, como nos velhos tempos de chip hazard.

– Oscar 2016. Meu lado jornalista viu todos os filmes que concorriam às principais categorias. Incrível como muita gente gosta de O Filho de Saul. Acham que é novidade, o que, sinceramente, me escapa. Não acho a trama abjeta, como alguns sugeriram. Meus problemas com o filme estão todos na esfera formal (e é justamente isso que tem conquistado as pessoas, pelo que percebo). Aquela câmera pernilongo não me convence em momento algum. Adoro Lili Marlene. E O Filho de Saul é o oposto de Fassbinder.

– A vitória de Spotlight ao menos serviu para tirar o principal Oscar do exibicionista O Regresso. Não é um mal filme, pelo contrário, embora esteja próximo demais do academicismo. Ainda assim, em tempos de direções indigentes (que já se tornaram a regra, logo, também acadêmicas), como a de A Grande Aposta, melhor um feijão com arroz do que um jiló estragado.

O Cavalo de Turim (2011), último longa de Béla Tarr, estreou em São Paulo, numa sala pequena do Arteplex. É um grande filme, dos maiores do século.Escrevi sobre o filme para a Folha.

– Uma grande notícia é a mostra em homenagem aos 80 anos de José Mojica Marins, na Cinemateca Brasileira, de 10 de março a 04 de abril. Quem é de São Paulo precisa acompanhar (e quem não é, seria bom cogitar uma temporada por aqui). Serão exibidas suas obras-primas (Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver e O Despertar da Besta), filmes subestimados (Finis Hominis, Exorcismo Negro, Delírios de um Anormal), importantes por representarem uma guinada e um retorno (À Meia Noite Levarei Sua Alma, A Encarnação do Demônio), entre outros filmes que precisam de revisão (confesso que não gosto dos que realizou sob pseudônimo, e creio que não seja preconceito de minha parte). Nunca vi: Sexo e Sangue na Trilha do Tesouro e D’Gajão mata para Vingar.

– Nesta nova fase de escutar muito, quase que somente, soul, funk e rap, tenho reouvido coisas maravilhosas como o primeiro do De La Soul, o segundo e terceiro discos do Public Enemy, discos do Ice T (incluindo Body Count), os dois primeiros do Ice Cube, os dois primeiros do NAS, enfim, muito rap, ritmo forte, impulsionador como um bom heavy metal.

– Órfão da NFL (o melhor esporte para se ver na TV). Chega logo, setembro. Órfão também da antiga ESPN Brasil. Órfão para sempre, nesse caso.

– Terminando com uma tardia homenagem ao gênio David Bowie, que nos deixou em 10 de janeiro, dois dias depois do lançamento de sua obra-prima de despedida, o LP Blackstar.

https://www.youtube.com/watch?v=kszLwBaC4Sw